Quem sou eu

Minha foto
Renato Alcântara
Salvador, Bahia, Brazil
Um diletante romântico-pragmático e, acima de tudo, contraditório.
Visualizar meu perfil completo

quinta-feira, 18 de junho de 2009

IAIDO HACHIDAN

Ito Tomoharu sensei

terça-feira, 4 de novembro de 2008

O quê é Eficácia? parte 2

Na primeira parte procurei explicar os têrmos eficiência, eficácia e efetividade. Agora que vocês sabem como eu estarei usando estes têrmos passarei a discussão eficácia em artes marciais propriamente dita.

A primeira coisa a ser estabelecida é: qual o objetivo principal de minha prática marcial?

Caso o objetivo seja melhoria da minha qualidade de vida(já que "saúde" é meio vago), como a minha prática se propõe a alcançar esta meta?

Qualidade de vida engloba: eficiência fisiológica(o corpo funcionar de forma eficiente), eficiência psico-emocional(a mente lidar com as experiências de modo equilibrado, sem desgastes) e eficiência social(interação social harmoniosa).

Uma modalidade que provoque machucados crônicos não será fisiologicamente eficiente. Uma que intensifique a agressividade não será social ou psico-emocionalmente eficiente. Observando sob este prisma muitas modalidades são na realidade bem pouco saudáveis...

Caso o objetivo seja a capacidade de derrotar outras pessoas em duelos corpo-a-corpo (já que defesa pessoal é fuga e combate se fundamenta em armas), como minha modalidade se propõe a alcançar esta meta?

Num duelo corpo-a-corpo a meta é comparar habilidades de modo  valorar um vencedor. Regras são definidas. Elas podem ser específicas (como no Kendo, onde até mesmo a forma de andar é restrita) ou vagas("apenas dois lutadores" ou "lutar até knockout ou desistência"), mas estarão presentes.

Derrotar pessoas em duelo corpo-a-corpo engloba: conteúdo conciso(menos informação gera menos necessidade de decisões conscientes e maior intensidade de treinamento) , ênfase em treino livre com variação de parceiros(para estimular a criatividade intuitiva) e condicionamento desportivo(trabalho paralelo voltado para a aquisição de mais força, velocidade ou resistência, de acordo com as necessidades da modalidade de duelo).

Uma modalidade com um conteúdo muito prolixo ("nosso estilo tem mais de dez mil formas de coçar o nariz...") será combativamente ineficiente. Uma que se concentre na prática de exercícios formais(Kata ou Xing) não terá uma prática eficiente para o caos do combate. Uma que ignore a necessidade de trabalho paralelo de fortalecimento estará ignorando uma parte significativa da formação de um lutador.

Da próxima vez que você for treinar se pergunte: o quê estou pretendendo obter de meu treinamento e quão adequado a este objetivo ele parece ser? 

Continua...

Reflexões sobre a prática e ensino de artes marciais.

Uma discussão que frequentemente vêm à baila é sobre "métodos ultrapassados" ou sobre como "mestre X aperfeiçoou as técnicas tradicionais".

É interessante como as pessoas parecem achar que MÉTODOS são coisas de materialidade tangível. É como se as técnicas do Karate Shotokan(exemplo) estivessem lá, guardadas numa pokebola*,e o praticante as recebesse; na hora do combate bastaria gritar "Oizuki, eu escolho você! Ruma a desgraça de pégasu!".

Na prática, este erro é compreensível.

Nossa geração viveu uma quebra de paradigma nas artes marciais. Sua comercialização.

Numa época onde elas eram empregadas em seu papel original(prover guerreiros de habilidades facilmente empregadas em combate) seu conteúdo era simples e objetivo. Tão logo o básico fosse dominado o guerreiro era enviado para batalhas, nas quais teria a chance de pôr a prova o quê lhe foi ensinado e, em alguns casos, complementar este conteúdo com suas próprias experiências.

Com o advento da paz estas modalidades foram se modificando. Seu objetivo primário não sendo mais tão imediato(nenhuma guerra às vista), novos papéis foram encontrados. Ginástica, prática social, válvula de escape da agressividade dos jovens, máquina ideológica do estado...e de acordo com estas novas roupagens, novas organizações de currículo e metodologias foram experimentadas.

Estes fatos eram e são ignorados pela maioria dos praticantes e boa parte dos "mestres". Modalidades fundamentalmente civis e ginásticas são ensinadas como "herança dos antigos guerreiros do/a [escolha seu país]". Nos casos em quê o "mestre" percebe que as técnicas "tradicionais"(que às vezes vêm de uma "tradição" de menos de dez anos) não funcionam bem, este faz uso de seus [superficiais] conhecimentos sobre combate[competições e filmes] para "aperfeiçoá-las", com resultados questionáveis.

Infelizmente muitas das modalidades mais populares atualmente foram fruto de processos similares. As modalidades mais difundidas atualmente(Judo, Karate, Taekwondo, Taichichuan, Hapkido, Aikido, Wing Chun e Jiujitsu) são criações recentes, desenvolvidas por esportistas ou brigadores de rua. E sofreram processo de "refinamento" voltado para duelos esportivos("desafios" onde habilidades são colocadas em oposição).

Isso somado à cultura popular e ao folclore oriental criou vários mitos hoje defendidos como verdades.

A menos que estejamos dispostos a admitir nosso apêgo à fantasia será impossível têrmos a objetividade necessária para levar nossas modalidades à seu potencial pleno.

*Poke-bolas são dispositivos usados o desenho animado japonês(anime) "Pokêmon"(do japonês poketoo monsuta ou monstro de bolso)

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Quem ensina o quê a quem?


Fomos doutrinados a crer que o "professor ensina"...mas na prática isto é impossível. Nenhum professor pode controlar o sistema nervoso do aluno e mover seu corpo/mente por ele.

Ele oferece experiências. Estas experiências provocam certos lampejos de inspiração, os quais são o aprendizado.

Um professor habilidoso escolhe as experiências pedagógicas com base naquilo que o aluno já sabe, de modo a trabalhar à partir de um referencial comum. Um aluno que não esteja atento as estes momentos poderá ser adestrado na forma por um adestrador habilidoso, mas jamais alcançará uma compreensão da essência. Será como um animal de circo, respondendo a estímulos externos de uma forma previsível(estalo do chicote, som do apito, gestos da mão, comando verbal).

Um MÉTODO DE COMBATE TRADICIONAL é formado pelas experiências acumuladas por uma linhagem de praticantes, as quais foram escolhidas por se mostrarem mais eficazes para garantir este tipo de esclarecimento para a essência do combate.

É aqui que surge o dilema da prática de métodos tradicionais de combate: o método é fim ou meio?

No passado estes métodos eram o meio de se desenvolver as habilidades necessárias para a efetividade em combates. Sua transmisão não se baseava na preservação do método e sim da efetividade, de modo que tudo o que fosse se mostrando anacrônico e desnecessário ia sendo descartado. E isto era coerente.

Na atualidade a questão se torna mais delicadada. Tomando como exemplo o Hojutsu(manejo do fuzil de mecha/pavio), o método em sua integralidade é inefetivo, a começar da sua arma. Considerar a idéia de praticar esta modalidade tendo em vista seu emprego em combate seria uma completa loucura. É patente que sua prática se dá na dimensão estética da preservação de uma herança cultural, o quê torna sua trasmissão fidedigna e integral imprescíndivel. Qualquer "adaptação", "aperfeiçoamento" ou "correção" irá ferir a autenticidade da prática.

A solução para este dilema está em praticar estas artes num contexto de jogo de papéis(RolePlaying), onde o "como se fosse" é a norma.

Praticar o tiro com o fuzil de mecha como se vivêssimos num lugar e era onde ele seria o zênite da tecnologia bélica. Sem perder de mente tratar-se de uma fantasia.

P.S.: e para quem quer ver como se faz...
http://www.youtube.com/watch?v=2KTS8PQ06Qo

quinta-feira, 24 de julho de 2008

O quê é Eficácia?

Não importa se é um praticante de Aikido ou MMA; cedo ou tarde ele vai falar sobre a eficiência de sua arte. Sob o têrmo "eficiência" esconde-se a valoração de nossa modalidade ("vale a pena treinar X em função de ser eficiente"). Depois desta valoração inicia-se a competição para justificar a superioridade de uma modalidade sobre a outra om base em sua "eficiência".

Eficiência X Eficácia X Efetividade.

Eficiência é, em linhas gerais, a correta execução de uma dada tarefa. Eficácia é a correta escolha da tarefa para um determinado fim. Efetividade é o impacto causado no contexto da aplicação.

Alguém pode ser eficiente (realizar realizar a tarefa corretamente), ineficaz (não percebendo que o método executado é inadequado ao objetivo) e efetivo (cumprir o objetivo dentro do prazo). Também é possível ser ineficiente (realizar um serviço de forma mal-acabada e com um dispêndio desnecessário de recursos), eficaz (aplicando o método adequado) e inefetivo (desagradando as expectativas do projeto).

Ficou confuso? Sinal de quê é um pessoa normal...pois esta distinção é vaga e subjetiva, baseada em distinguir entre fins e meios. E na vida real, fins e meios comumente se confundem.

Eficiência, Eficácia e Efetividade em combate.

Seria fácil, usando como exemplo o Aikido, dizer que ser eficiente significa realizar o kotegaeshi mecanicamente do jeito certo, com um mínimo de esforço e o máximo de efeito. E explicar eficácia como escolher o momento apropriado de aplicar este kotegaeshi. E efetividade seria a relevância disto para o indivíduo (vencer o Ultimate Fighting Championship).

O problema no caso de artes marciais é: como distinguir onde começa o método?

Para podermos compreender eficiência, eficácia e efetividade em métodos de combate temos que primeiro deixar claro o quê são fins e o quê são meios. Uma vez estabelecidos estes pontos, fica mais claro como medir diferentes métodos (clássicos ou modernos).

Defesa Pessoal.

Defesa Pessoal significa defender (ou a alguém) de uma agressão.

A melhor defesa reside em impedir a ação do agressor, de modo que não seja necessário reagir a um ataque. Quando reagimos somos obrigados a escolher um curso de ação de maneira abrupta, condição na qual o potencial para uma má escolha (ineficácia) ou aplicação(ineficiência) de uma resposta pode levar a inefetividade da defesa. Outro fator importante é o tempo; quanto mais tempo levarmos para realizar a ação de defesa maior o risco de fracasso. Por esta razão é sempre recomendável ter em mente a evasão.

Com base no acima descrito, um método de combate voltado para DEFESA PESSOAL deve trabalhar de forma pró-ativa, antecipando as situações de risco e enfatizando a fuga. O confronto deve ser visto como último recurso, no qual a ênfase deve ser criar oportunidades de fuga para aquele que se busca defender.

Combate.

Combate é a busca de sobrepujar um antagonista. Pode se dar no âmbito esportivo ou social, o quê irá definir as "regras de engajamento".

"Regras de engajamento", de forma simplificada, são as condições e limitações (práticas ou sociais) para o combate. Não usar armas nucleares ou químicas no Iraque fez parte das regras de engajamento naquele contexto. Não golpear abaixo da linha da cintura faz parte das regras de engajamento do Boxe.

O melhor método de combate será aquele que melhor explorar as brechas nas regras de engajamento, de forma a dar superioridade ao seu usuário, na busca do seu objetivo maior.

Vale lembrar quê, em combate não-esportivo, demonstrar superioridade não é a meta. Não se trata de uma questão de mérito e sim de necessidade de auto-preservação, seja num sentido objetivo (defender-se) ou subjetivo (defender seu projeto de vida/sociedade). Nestas condições a capacidade de manipular ou mesmo burlar as regras do engajaeto é de crucial importância para o sucesso de uma empreitada.

Continua...

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Aprender, Treinar & Incorporar

Aprender: imitar alguém que apresenta uma proposta que se julga digna de mérito.
Treinar: repetir CORRETAMENTE algo que foi APRENDIDO, de modo ser capaz de fazê-lo de forma natural e automática.
Incorporar: é quando algo novo é aprendido e treinado ao ponto de o conhecermos intimamente e sermos capazes de contextualizá-lo.

Para que está familiarizado com as artes marciais japonesas a expressão "Shu-Ha-Ri" virá a tona. Preservar, Quebrar e Libertar-se.

Aprendendo a aprender.

O problma de "aprender" é compreender que no começo é basicamente repetir algo que não se entende. Entender vm depis, quando a imitação já se tornou fidedigna, nunca antes. E é aqui que mora o dilema.

Ao chegarmos na fase adulta já temos uma visão dicotomizada entre utilitarismo e diletantismo. Existe as coisas funcionais(que cumprem funções) e as nossas disgresões (coisas que fazemos como formas de expressão de individualidade). Atividades utilitaristas não são vistas em si, e sim em seus resultados. Já as disgressões são usufruídas exatamente em sua características irresponsável e inconsequente.

É por isto que temo doisd tipos de erros comuns em artes marciais: falta de empenho ou excesso de brutalidade.

Os que enxergam artes marciais como métodos de combate corpo-a-corpo não enxergam o quê é treinado e sim a habilidade que almejam. Quando o instrutor exibe a técnica a ser praticada, o aluno utilitarista não enxerga a técnica e sim seu efeito no colega de prática("o mestre arremessou o cara longe...como ele é FORTE!"). Concentrado em tentar repetir o EFEITO o aluno tenta solucionar o dilma("como arremessar o cara daquele jeito?") ao invés de se concentrar em repetir a simulação de técnica apresentada(que é a solução). Erro similar ocorre quando se exerga estas modalidade como ginástica, dança, meditação...

Os que enxergam artes marciais como de lazer não percebem o treino e sim socialização e recompensa (elogios, prestígio, títulos). Por não treinarem visando copiar o quê é explicitado, ficam à espera da "explicação clara". Ou da "prática que leva à perfeição" (qum dirige sabe como práica não leva a perfeição nnhuma, ou o trânsito seria perfeito...).

Esforçar-se em ser capaz de mimetizar o professor em cada detalhe deve ser a única meta na mente do iniciante.

Continua...

quarta-feira, 11 de junho de 2008